Suicídio e a Racionalidade Simplória na Internet

Suicídio e a Racionalidade Simplória na Internet

Nos comentários do meu vídeo sobre suicídio e a campanha do Setembro Amarelo ficou muito clara a distância abismal que existe entre os fatos que acontecem na sociedade e alguns pensadores de internet que discutem esses fatos.

Vídeo em questão:

Algumas pessoas protestaram (inclusive me ofendendo de graça) falando sobre o suicídio como saída filosófica válida, que oferecer ajuda é piegas e meu vídeo é carola, que os cidadãos devem ter a liberdade individual de decidir sobre sua vida – tive inclusive que bloquear uma pessoa que postou formas de levar a cabo um suicídio. Ah, teve até quem me chamou de religioso bitolado. Imagino que na cabeça dessas pessoas um ateu (como eu) não pode valorizar a vida ou se preocupar com o sofrimento alheio.

Por outro lado, muitas outras pessoas comentaram que perderam familiares por conta disso, que quase recorreram Continuar lendo “Suicídio e a Racionalidade Simplória na Internet”

Sobre o Impeachment de Dilma Rousseff

Sobre o Impeachment de Dilma Rousseff

Um comentário que eu muito sinceramente espero ser meu último sobre isso, ao menos de forma solta e superficial. Daqui pra frente, só quero falar disso quando puder fazer uma coleta boa de informações.

Em momento nenhum defendi “a Dilma”. Vocês estão ensinando o padre a rezar missa quando me falam da má administração dela.

Defendi o respeito ao processo eleitoral desde que, no fim das eleições, os eleitores do Aécio se apossaram dos protestos (e da histeria brasileira) pra pedir sua deposição. Não é uma coisa vaga e difícil de enxergar, e não estou inventando esse fato só agora. Eu fiz até um vídeo na época falando do assunto. Isso estava claro pra todos, quando saíram às ruas de mãos dadas os eleitores vencidos, os que queriam intervenção militar e a turma do orgulho hétero. O título do vídeo é “O País da Pirraça”, caso queiram conferir por si mesmos.

Comecei a me preocupar de fato quando essas manifestações começaram a receber cobertura em horário nobre, passe livre, almoço grátis e boa recepção dos militares. Não estou dizendo que haverá um golpe militar, e sim que líderes militares também são líderes políticos com contatos políticos e empresariais, e o fato de que militares aplaudem uma manifestação e recebem a outra a balas é no mínimo um indicador de que há um viés. Chamar isso de coincidência ou falar que a manifestação amarela era a única pacífica entre todas é irracional, e em geral fruto de um preconceito cego em relação à esquerda, que tem crescido perigosamente no Brasil. Continuar lendo “Sobre o Impeachment de Dilma Rousseff”

A Campanha da Vogue

A Campanha da Vogue

Não tenho opinião totalmente formada sobre a campanha da Vogue amputando graficamente Paulo Vilhena e Cléo Pires. Mas, pequenas reflexões.

Vocês acham que a campanha da Vogue teria dado uma repercussão tão grande se fossem apenas deficientes de fato, e não dois atores nacionalmente conhecidos? Precisamos sair um pouco da falsa dicotomia de rotular como elitista toda e qualquer ação antes de sequer considerar todos os aspectos dessa.

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Campanha Somos Todos Paralímpicos (Foto: Divulgação)

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Quinta força da natureza: o sensacionalismo ataca novamente

Quinta força da natureza: o sensacionalismo ataca novamente

Como é difícil não alimentar preconceitos com o jornalismo científico de alguns portais.

Um estudo na Universidade da Califórnia (a quem estiver se sentindo aventureiro, este é o artigo original) sinaliza a necessidade de investigação de dados que sugerem a possível existência de uma quinta interação fundamental de curtíssimo alcance, que não estaria contida atualmente no modelo padrão, e que poderia auxiliar na compreensão da matéria escura.

Os próprios pesquisadores, sabendo como funciona a pesquisa científica (e provavelmente temendo também como os portais de notícias tratariam seus resultados) enfatizam mil vezes que isso precisa ser replicado e que inclusive pode ser um problema na coleta de dados – como já ocorreu inúmeras vezes, por exemplo no caso dos neutrinos que supostamente teriam viajado mais rápido que a luz, que até hoje é uma desinformação amplamente difundida. Foi descoberto pouco tempo depois que os resultados eram fruto de um erro nos dados. Tempos depois, ainda temos mais e mais estudos mostrando que neutrinos não viajam acima da velocidade da luz.

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Einstein, Pokémon GO e a Verdadeira Geração de Idiotas

Einstein, Pokémon GO e a Verdadeira Geração de Idiotas

“Chegará um dia em que a tecnologia ultrapassará a interatividade humana, e o mundo terá uma geração de idiotas.”

 Segundo o grupo de não-idiotas que certamente verifica as fontes de suas informações antes de compartilhar frases de moralismo no Facebook, essa citação seria de Albert Einstein.

 Ela é tão verdadeira quanto as histórias de que Einstein era um aluno fraco quando jovem, que quando criança teria provado pro seu professor a existência de Deus através de uma comovente (e fisicamente incorreta) historinha de que frio é ausência de calor e escuro é ausência de luz, ou ainda que ele achava que a física quântica era uma bobagem e hoje os místicos estão provando que ele estava errado.

 Qualquer um que admire Albert Einstein o suficiente pra conhecer suas contribuições para a física e também sua personalidade e visões de mundo reconhece sem embaraços o quanto essa citação não faz sentido.

 É bem sabido que o físico alemão ganhou um prêmio Nobel em vida, mas muitos pensam que foi pela Teoria da Relatividade. Esse Nobel foi na verdade Continuar lendo “Einstein, Pokémon GO e a Verdadeira Geração de Idiotas”

Ciência é interessante; conteúdo científico, não necessariamente

Ciência é interessante; conteúdo científico, não necessariamente

Dá uma tristeza muito grande procurar termos científicos em inglês e depois em português, basicamente em qualquer buscador. Tanto conteúdo bem embasado e interessante em inglês, tanto conteúdo de teor conspiracionista e desinformativo em português…

Fico feliz que tenhamos cada vez mais pessoas no Brasil se empenhando em divulgar ciência e fascinar outros pelo conhecimento. Ainda temos um longo caminho a percorrer.

Business concept. Isolated on whiteÉ importante ressaltar que é uma via de mão dupla a ser percorrida. Há muito material bem embasado que ainda não recebe destaque porque o algoritmo dos buscadores privilegia aquilo que é mais acessado. Então não é só questão de falta de conteúdo, mas também falta de interesse.

Por outro lado, há muito conteúdo bem embasado que é apresentado de forma entediante ou exclusivamente técnica – o famoso “conteúdo educativo” (até quem gosta de conteúdo informativo já faz cara feia quando ouve esse nome). E tem muito conteúdo “desinformativo” que é muito bem produzido, e por isso atrai mais gente. Não é apenas questão de temática, mas também de apresentação.

Não estou aqui repetindo o mantra (fatigante) “precisamos nos adaptar às novas mídias”. Estou me direcionando aqui a meus colegas que já divulgam ciência na internet, via Youtube, Facebook, Twitter, Snapchat, sites, blogs e tudo mais (Tumblr? Deviant? Não sei, mas se ainda não tem, deveria). Obviamente, como eu produzo vídeos, os exemplos do texto se focarão neste tipo de conteúdo.

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O Trabalho Duro de Quem “só estuda”

O Trabalho Duro de Quem “só estuda”

Vi pelas redes este artigo listando estudos que apontam que mais de 40 horas de trabalho semanal são danosos à saúde e contraproducente para os resultados.

Um estudante, seguindo a grade normal, passa pelo menos 25 horas semanais em aula (em geral, é mais). Para estudar em casa o equivalente a uma hora de estudo por hora de aula, já se vão 50 horas – o que não costuma ser suficiente, já que há trabalhos e listas que, sozinhos, tomam mais de dez horas, e boa parte dos professores acha que sua disciplina é especial.

Se for universitário e bolsista, some as 20 horas semanais habituais da legislação, e temos uma pessoa com 70 horas semanais de trabalho, considerada como alguém que “só estuda”. Vale lembrar que a maior parte das bolsas exige dedicação exclusiva, então são 70 horas de trabalho a R$400 obrigatoriamente. E agora temos projetos de lei tentando obrigar bolsistas a também cooperarem em escolas públicas, já que bolsistas são considerados sangue-sugas de impostos por uma parcela grande da população.

Aí fica mais claro porque é que estudantes procuram tanto por “como gerenciar
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